Exportações e Calçado em Portugal

O setor da moda é o mais sensível à perda de poder de compra vivido em Portugal. Com quebra nas encomendas, indústria pede apoios.

César Araújo, presidente da ANIVEC refere "O governo tem que rapidamente começar a implementar medidas de apoio às empresas, seja ao nível da tesouraria, com um papel mais ativo do Banco de Fomento, seja ao nível da formação profissional. Precisamos de aproveitar a redução da atividade das empresas para qualificarmos os nossos trabalhadores e prepará-los para o futuro.”


Nos primeiros quatro meses do ano, as exportações da indústria têxtil e do vestuário caíram 2,3% face ao ano anterior, para os 2.031 M€. O vestuário representa 58% deste valor (1.187 M€), onde 810 M€ são assegurados pela venda ao exterior de artigos de malha. No entanto este segmento é o que está a ser mais penalizado, com uma quebra de 5,3%. Contudo, o crescimento de 17,4% nas peças mais formais, em tecido, compensou as perdas das malhas. Também o calçado cresceu 1%, alcançando os 640,7 M€.

Analisando os 3 maiores e principais clientes da indústria portuguesa de têxtil e vestuário (ITV), só a França é que estava a expandir, com 340,6 M€, mais 3,8% do que no mesmo período de 2022. Espanha, o maior destino das exportações nacionais, está a cair 1,5% e a Alemanha perde 4,4%. Destaque ainda para as quebras de Itália (-14%), do Reino Unido (-10,9%) e dos EUA (- 7,6%), enquanto a Bélgica cresceu 1,5%.

Já no ramo do calçado, as exportações extracomunitárias cresceram quase 5%. A Alemanha e os Países Baixos, respetivamente o primeiro e terceiro maiores destinos dos sapatos portugueses, estão em linha com o ano passado. Espanha, Bélgica e EUA estão a cair 5,6%, 4,7% e 2,2%, respetivamente, enquanto França, o segundo maior mercado externo, está a crescer quase 4%. Destaca-se ainda a boa performance da Itália e do Reino Unido, que cresceram 21,9% e 27,3%.